segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Uma companhia inesperada na noite de Natal.

 


MINHA COMPANHIA DE NATAL.

A cidade estava decorada com pisca-piscas, e todas as casas tinham um presépio dentro. As famílias se reuniam ao redor da árvore para distribuírem seus presentes antes da ceia. O Natal havia chegado.

Eu era a única pessoa caminhando solitária, observando a alegria nas casas enquanto ia em direção à minha, no final da rua; sem luzes, sem pinheirinho, nem presépio.

Meus filhos já eram crescidos e moravam muito longe. Estavam sempre muito ocupados para me visitarem nessa ou em qualquer outra época do ano. Meu marido faleceu quando tínhamos apenas 3 anos de casados e me deixou com 3 filhos para criar. Seria a ironia do destino o número 3? Porque há 3 meses eu fiz 83 anos.

Quando eles eram pequenos, eu montava a árvore também, como meus vizinhos faziam agora. E costumava colocar Jesus na manjedoura à meia-noite, junto com meus filhos, que ficavam ansiosos por esse momento. Já não lembro quando foi a última vez que guardei o presépio no quartinho das bugigangas e apaguei a luz para nunca mais encontrá-lo lá. Só sei que foi um Natal em que eu enfeitei toda a casa e não tive ninguém pra compartilhar aquele momento comigo.

Dali em diante, eles começariam a me ligar, já em novembro, para eu não os esperar para a ceia, pois tinham que trabalhar, acompanhar a família a outro lado, mil e uma desculpas melhores que passar um tempo com uma velha que caminhava encurvada com a ajuda de uma bengala.

Quem me visse na rua agora pensaria o quê de mim? Muitas coisas, mas jamais a verdadeira.

Eu era advogada e é verdade que eu não tinha muito tempo para eles. Por isso, eles não têm tempo para mim hoje? Talvez.

Eu precisava trabalhar para dar comida, casa e boa educação aos meus três filhos: Laura, Carlos e Luana, nessa sequência. Eles sempre me pediam muitas coisas: brinquedos, comidas diferentes etc. Carlos queria comer pizza uma vez por semana, Laura sempre estava interessada em um objeto que suas amigas tinham e Luana pedia brinquedos novos cada vez que via na propaganda da T.V. Eu achava que estava fazendo certo em trabalhar e dar tudo o que eles me pedissem, já que não tinham mais o pai. Eu via isso como uma maneira de substituir essa falta.

Hoje, penso diferente, mas o tempo já passou para mim.

Vou caminhando e me aproximo da casa mais escura da rua, tiro as chaves e abro o portão. Quando entro, eu levo um susto, porque começam a soltar fogos de artifício. É tão lindo que decido sair para ver. Alguns vizinhos também saem na calçada e conversam animadamente.

Lembro dos meus pais, de quando eu era pequena, com minhas irmãs correndo pela rua numa noite como aquela, mas sem os fogos, que não eram comuns naquele tempo. Depois, fiz a mesma coisa com meus filhos, e agora, sozinha, estou ali novamente olhando para o céu reluzente.

Quando viro, novamente, para entrar em casa, uma sombra escura passa por mim, e eu me assusto ao perceber um cachorro preto e grande. Tento chamar ele para fora, mas não me obedece. Entro e tento espantá-lo com gestos e algumas interjeições. Nada! Faço movimentos de ameaça com minha bengala, e nada! Até que percebo seu olhar de medo, como se ele não estivesse realmente na minha garagem, mas em outro lugar dentro dele mesmo. Fico com pena e entro procurando por algo para lhe dar de comer. Encontro um pedaço de frango que eu tinha preparado no dia anterior. Eu já não como mais carne; frango é melhor para os dentes que restaram.

Levo até perto dele e nada! Tento fazê-lo cheirar e nada!

Solto os ombros, desolada, e penso que o Natal é uma vez por ano. Então, decido ir até o quartinho de bugigangas. Reviro o lugar até encontrar o que quero e levo tudo que está dentro de um saco grande para a garagem e, na companhia do cachorro assustado com os fogos de artifício, começo a montar meu presépio, há tantos anos abandonado naquele quartinho que eu quase não entro.

Demoro para montar tudo; meus movimentos já não são como antes e, de vez em quando, preciso me sentar para descansar. Ali, tenho uma cadeira de vime mais nova que eu, porém mais destruída, e a arrasto para perto.

Quando coloco Jesus na manjedoura, o cachorro faz um grunhido, e vejo ele comendo o pedaço de frango que eu tinha lhe dado antes. Levanto com a dificuldade que já estou acostumada, vou até a cozinha e esquento um pedaço para mim também.

Volto para a garagem com mais um pedaço para ele e outro para mim. Com o presépio montado de forma simples e Jesus na manjedoura, somos companhia um para o outro nesta noite de Natal.

M.C.Jachnke.

@Todos os direitos reservados.

Aviso: Este texto pode ser utilizado em aulas ou compartilhado com amigos, desde que seja citada a fonte e o nome da autora.


 
Este conto nasceu de uma situação real que aconteceu comigo em uma noite de Natal, quando um cachorro preto e grande entrou na minha garagem. Aquela cena inesperada me fez pensar em como, muitas vezes, a companhia chega de onde menos esperamos. Não, eu não estava sozinha, mas a inspiração veio daquela noite. E me deu vontade de compartilhar com vocês este texto. O que acharam?


sábado, 13 de dezembro de 2025

Atividade de Natal em português com produção oral.


Oi, pessoal.

Talvez, muitos como eu, terão aula nos dias 23 e 24 de dezembro e querem alguma ideia para uma aula temática nestes dias. Pensando nisso compartilho com vocês o que eu usarei este ano. 

Ela funciona com turmas iniciantes e permite revisar conteúdos já estudados sem pressão.

A proposta: 

O aluno vai falar sobre o Natal a partir da sua própria experiência, comparando hábitos, gostos e costumes, usando frases curtas e conhecidas.

Atividade: Complete e fale

Peça para os alunos completarem as frases e, depois, apresentarem oralmente para a turma ou para um colega.

  1. No meu país, o Natal é ...

  2. No Natal, a minha família costuma ...

  3. Eu passo o Natal com ...

  4. No Natal, eu gosto de comer ...

  5. Uma comida típica de Natal no meu país é ...

  6. Eu gosto / não gosto do Natal porque ...

  7. No Natal, eu geralmente ...

  8. Uma tradição de Natal que eu gosto é ...

Para fechar a aula: a Árvore de Desejos.

Para encerrar a aula de Natal de forma simbólica e participativa, proponha a construção coletiva de uma Árvore de Natal dos Desejos.

Na aula presencial, a árvore pode ser desenhada em uma cartolina ou no quadro. Já na aula virtual, ela pode ser feita diretamente na tela, em um slide, quadro digital ou ferramenta colaborativa.

Cada aluno deve escrever um desejo para o próximo ano, usando uma palavra ou uma frase curta em português, e colocá-lo na árvore.

Exemplos de desejos: saúde, paz, esperança...

Se o nível permitir, o aluno pode escrever uma frase simples, como: Eu desejo saúde para minha família.

Dica pedagógica:

Antes da atividade, vale revisar rapidamente o vocabulário no quadro ou na tela. Durante a construção da árvore, incentive a leitura em voz alta dos desejos, criando um momento de escuta, partilha e prática oral.

Mais do que uma atividade de Natal, a Árvore de Desejos se transforma em um momento de conexão com a língua, com a turma e com o que cada aluno espera para o futuro.